ESTUDANDO MALAQUIAS


Malaquias é um livro muito usado para questão do dízimo nas igrejas, até mesmo como um bicho papão do crente. Temos como objetivo estudar o livro para entender o que o profeta Malaquias disse e para quem disse.

Se puder, antes de ler este estudo, recomendamos a leitura do livro de Malaquias, somente 4 capítulos, para que após a leitura Bíblica venhamos juntos comparar o que está escrito na Palavra de Deus com os pontos que iremos abordar aqui. Seja um Bereiano, não acredite somente no estudo, mas confirme se isso está de acordo com a Palavra de Deus, sempre.

Antes, queremos entrar no contexto histórico do livro, mesmo sabendo que não há muitas referências históricas a seu respeito, porque o livro de Malaquias não faz menção a nenhum rei, ou episódio histórico que facilite a identificação do período de seu livro, porém sabemos de algumas poucas situações que podem nos ajudar a entender melhor esse livro.

No contexto histórico que se sabe, Malaquias foi escrito entre 440 a 400 a.C., quando os filhos de Israel ainda estavam sob o domínio Persa, apesar de terem regressado da Babilônia. É bom lembrar que os judeus regressaram da Babilônia em dois grupos: o de Esdras e depois o de Neemias.

Os judeus tinham retornado do exílio impulsionados por altas esperanças, mas com o passar dos anos, os judeus foram ficando desiludidos. Estavam cercados por inimigos, como os samaritanos, os quais procuravam impedi-los em cada oportunidade. Sofriam por causa da seca, das más colheitas e da fome. A partir de então, eles começaram a duvidar do amor de Deus.

Depois de um período de avivamento (Neemias 10:28-39), o povo tornara-se frio em matéria de religião e descuidado moralmente. O templo já havia sido reedificado, a Lei havia sido introduzida por Esdras, mas uma apostasia subsequente ocorrera dos sacerdotes para o povo. Por isso o livro de Malaquias é 80% voltado para os sacerdotes.

Na leitura, podemos ver pelo menos 6 situações em que Deus chama atenção do povo de Israel:

  1. Desprezo pelos sacrifícios;

  2. Religiosidade;

  3. Casamento com vizinhos estrangeiros;

  4. A vinda do Senhor;

  5. Os dízimos;

  6. Ceticismo nacional;

Antes do livro de Malaquias, Deus exorta a nação de Israel através de vários profetas, alertando quanto aos maus caminhos que andavam.

No livro de Malaquias, Israel já estava de volta na sua terra, o templo havia sido reconstruído, mas parece que o povo estava voltando para a mesma apostasia que os levaram ao cativeiro, o povo começou novamente a se distanciar de Deus.

O livro de Malaquias se dirige aos sacerdotes nos capítulos 1, 2 e no capítulo 3:1-6. A partir do verso 7 do capítulo 3, Deus fala para toda nação, Sacerdotes e Povo.

Malaquias 3:9 diz: "Com maldição sois amaldiçoados, porque me roubais a mim, vós, toda a nação."

Existem defensores de que o livro de Malaquias é somente aos sacerdotes, por isso o verso 9 do capítulo 3 gera certa controvérsia, pois alguns teólogos afirmam que a tradução está errada, pois os tradutores do hebraico dizem que o verso 9 deveria ser lido: “Toda a VOSSA nação”. Embora o “vossa” não apareça em várias versões, eles afirmam que aparece em algumas versões, porém não encontramos essas.

Por isso iremos nos ater ao que está na tradução bíblica King James (Americana & Português), Almeida Corrigida e Revisada Fiel, Almeida Revisada Imprensa Bíblica, NVI, Sociedade Bíblica Britânica e Versão Católica. Nessas 7 versões está escrito, TODA A NAÇÃO. Confira a sua também!

Vamos então aos tópicos, com base no que está escrito.

1) Desprezo pelos sacrifícios:

Os sacerdotes faziam os ritos no templo de maneira formal, não se importando com o melhor para Deus, mas sim para eles próprios, parecido com o que Eli e seus filhos fizeram na sua época (Malaquias 1:6).

Os sacerdotes ofereciam pão imundo (Malaquias 1:7) e animais coxos (Malaquias 1:8), por isso Deus diz a eles que não aceitaria mais das mãos deles os sacrifícios (Malaquias 1:10).

Como sabemos, os sacrifícios e ofertas tinham uma ordem a ser seguida, instituído por Moisés ao povo. Deus sempre primou pela primazia e gratidão do povo. Lembra de Caim e Abel? Os dois entregaram uma oferta a Deus, porém Abel fez bem aos olhos do Senhor. Deus se agrada do nosso coração nas atitudes, fazendo bem o que fizermos para Deus.

O melhor era devolvido a Deus como gratidão, o melhor cordeiro, a melhor semente, o melhor da colheita, o melhor era dado para aquele que deu o que foi colhido. Porém, o povo começou a banalizar o sagrado, comprando o que seria sacrificado, mandando outro ir entregar seu sacrifício... Tudo isso pelo fato dos sacerdotes não darem o exemplo e não ensinarem o temor a Deus que o povo deveria ter, levando a nação para um distanciamento do Pai, desprezando aquilo que Deus havia instituído.

2) Religiosidade:

O Senhor havia feito um concerto com a tribo de Levi, mas esses sacerdotes não estavam honrando ao Pai. Deus inicia o capítulo 2 dizendo para eles “E AGORA, ó sacerdotes, este mandamento vos toca a vós. Se o não ouvirdes e se não propuserdes no vosso coração dar honra ao meu nome, diz o Senhor dos Exércitos, enviarei a maldição contra vós e amaldiçoarei as vossas bênçãos; e já as tenho amaldiçoado, porque vós não pondes isso no coração.

Os sacerdotes estavam ensinando errado ao povo, e por isso levaram Israel a um distanciamen. Isso mostra a importância dos sacerdotes (líderes) estarem andando nos caminhos do Senhor, do contrário o povo se desvia, através de atos religiosos vazios, e sem reverência ao Senhor (Malaquias 2:8).

3) Casamento com estrangeiros:

Deus já havia dito ao povo para não se casarem com pessoas de outros povos, e sabemos que Israel não o obedeceu, sabemos também as consequências que a desobediência os trouxe. Sansão e Salomão são dois exemplos de pessoas que se desviaram dessa ordem, levando desgraça sobre si e sobre Israel.

Após o exílio, Deus avisa novamente para que Israel se afastasse dessa prática (Malaquias 2:10-13), mas pelo mal exemplo dos sacerdotes, o povo começou a se divorciar de suas mulheres e casar com mulheres de fora de Israel, novamente.

Por isso as palavras de Malaquias para que os sacerdotes se voltassem para os mandamentos de Deus, pois estavam distantes, praticando pecado, e levando o povo a pecar, novamente.

"Judá tem sido desleal, e abominação se cometeu em Israel e em Jerusalém; porque Judá profanou o santuário do Senhor, o qual ele ama, e se casou com a filha de deus estranho." Malaquias 2:11

4) A vinda do Senhor:

Devido a tudo que já vimos até aqui, o capítulo 3:1-6 mostra o que acontecerá na vinda de Jesus, onde as ofertas dos levitas serão novamente aceitas como cheiro suave ao Senhor.

Aquele povo via que os que não serviam a Deus prosperavam mais que eles que eram povo de Deus, e aqui Malaquias diz o porque deles estarem passando por tudo isso. O povo olhava para fora e via que os ímpios estavam prosperando sem Deus, e eles tendo má colheita e começaram a murmurar dizendo que era melhor estar sem Deus, pois os outros povos prosperavam (Malaquias 3:14).

No capítulo 4 Malaquias se volta para o futuro, fazendo alusão a volta de Elias, que se cumpriu com o nascimento de João Batista, iniciando a vinda de Cristo (Mateus 17:12-13; Lucas 1:15-17).

5) Os dízimos:

Malaquias 3:7-11 Deus mostra a todos, sacerdotes e ao povo (vs.9) que eles roubavam ao Senhor nos dízimos e ofertas alçadas. Oferta alçada é a oferta que está mais alta, está além da oferta do dízimo.

"Então disse o Senhor a Moisés: Fala aos filhos de Israel que me tragam uma oferta alçada; de todo homem cujo coração se mover voluntariamente, dele tomareis a minha oferta alçada" Êxodo 25:2

Deus havia instruído o povo a trazer as primazias para a casa do tesouro, o melhor do povo deveria ser entregue a Deus. Então os sacerdotes sacrificavam a Deus e também viviam com o que o povo ofertava ao Senhor, como concerto feito com a tribo de Levi. Vale lembrar novamente de Eli, seus filhos também roubavam de Deus, pois o povo entregava o melhor para sacrifício, e eles não sacrificavam, guardando o melhor para si. Nem precisamos dizer como terminou essa história.

Assim também acontecia naqueles dias. O povo já não entregava sua primazia a Deus, como a lei instruía, eles compravam animais para sacrificar, davam animais coxos, davam do que lhe sobrava, e não da sua primazia. Ao invés de entregar a melhor semente pra Deus, guardavam e entregavam o resto para Deus.

O texto de Malaquias é literal, não existe aqui nenhuma ilustração. Quando Deus fala que repreenderia o devorador, ele se refere ao gafanhoto, inseto conhecido pelos lavradores que comem todo plantio.

O resultado de não entregar o dízimo como instituído na lei, foi maldição. Aqueles que eram fiéis no dízimo, tinham a promessa de Deus que por causa deles cuidaria para que nada de mal chegasse ao seu plantio.

O dízimo é parte da lei, um mandamento para o povo de Israel. Eles precisavam entregar o dízimo como instituído por Moisés, lembrando que a tribo de Levi não tinha terra para plantio e se dedicavam ao sacerdócio, e esse mantimento ao qual o profeta se refere em 3:10 é mantimento para os sacerdotes.

É comum o uso desses versículos nas igrejas hoje, pois se refere ao dízimo e as igrejas utilizam os dízimos para manutenção dos templos. Não pretendemos entrar aqui na legitimidade ou não do dízimo, mas quando entendermos que as palavras de Malaquias era para o povo de Israel naquele momento, e não para os gentios, que nem eram consideradas povo de Deus naquela época, até a vinda de Cristo Jesus.

Para todos que estão fora da lei, vivendo um novo concerto, graças ao sacrifício de Cristo na cruz por nós, o dízimo não é um mandamento e o devorador não é um demônio criado por Deus que vai comer toda finança dos que não dizimam. As ofertas permanecem, mas sua contribuição é segundo o seu coração (2 Coríntios 9:7; Gálatas 2:16-20; Hebreus 7:12; Hebreus 8:13; Hebreus 9).

*O dinheiro nasceu no século VII a.C.

6) Ceticismo:

Malaquias 3:14 mostra que o povo estava cético quanto as promessas de Deus, e segundo eles, não adiantava de nada servir a Deus, pois continuavam pobres, e por isso era melhor confiar nos seus próprios braços, a final outros povos prosperavam financeiramente sem Deus, mas nos versos 16 e 17 Deus diz que os que se entregam e guardam os mandamentos do Senhor, serão poupados (Malaquias 3:18).

Conclusão

Concluímos então que muita das falhas do povo se dava pelo distanciamento dos sacerdotes, que levaram o povo para longe dos preceitos de Deus, e a Bíblia nos relata que sempre que o povo vai para longe Dele, coisas ruins acontecem.

O povo tem sua parcela de culpa, roubando Deus, negligenciando os mandamentos e novamente dando as costas para o Senhor, como tínhamos visto pelos profetas antes do cativeiro do povo.

Quando desprezamos as instruções do Pai, deixamos que a religiosidade fale mais alto que as instruções do nosso Senhor e nos tornamos céticos quanto ao que está escrito, o resultado é o mesmo desde a criação do mundo, maldição nas nossas vidas. Quando andamos na presença do Pai, as bênçãos do Senhor nos alcançara.

Não falamos sobre riqueza terrena, falamos sobre prosperidade com Deus. Pois como está escrito, “E será que, se ouvires a voz do SENHOR teu Deus, tendo cuidado de guardar todos os seus mandamentos que eu hoje te ordeno, o SENHOR teu Deus te exaltará sobre todas as nações da terra.”

Augustus Nicodemus - Malaquias 3:10, o Dízimo e o Novo Testamento:

A paz de Cristo seja com você, amém!

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